Ensaios sobre Psicologia, política e Direitos Humanos.
domingo, 17 de janeiro de 2016
A competição pelo sofrimento no capitalismo
Em meados do segundo semestre de 2015 escrevi um
texto que abordava alguns dos motivos pelos quais eu considero o capitalismo um
sistema indefensável e porque acredito que devemos lutar contra ele (http://migre.me/sIqRp). Dentre os principais
pontos estavam a exploração pela mais-valia e pelo trabalho escravo, alguns
fetiches capitalistas como a meritocracia, a "lei" da oferta e
demanda, o livre mercado e alguns mecanismos de geração de lucro em cima da
opressão como o crédito e endividamento, além da lógica de exclusão pelo
consumo.
Um ponto deixado de lado naquela ocasião e que acredito ser
pertinente explorar neste momento é a construção, reprodução e frequente busca
pela legitimação de regras sobre o que seria uma suposta "natureza humana" (o capital adora
um discurso mentalista/internalista). Sobre esta "tara" por
explicações mentalistas e/ou internalistas dos comportamentos, Holland, um behaviorista brilhante,
é muito feliz ao afirmar que:
“O mito das
causas internas é alimentado devido ao reforçamento fornecido à elite e também
devido ao papel que ele desempenha na manutenção do presente sistema. As
pessoas que ocupam alta hierarquia no poder afirmam que atingiram essa posição
elevada devido a um grande mérito pessoal. Os ricos têm liberdade de usar seus
recursos internos, sua vontade, determinação, motivação e inteligência de forma
a alcançarem seu alto nível. As causas internas servem como justificativa para
aqueles que tiram proveito da desigualdade (...). Aos pobres é reservado um
conjunto especial de causas internas. Diz-se que eles são preguiçosos, sem
ambição, sem talento. Aqueles que extraem o máximo de nosso sistema social
podem considerar punitivo encarar sua boa sorte como o resultado de um sistema
que explora as pessoas menos privilegiadas e que cria a pobreza e a
infelicidade. Se isso é verdade, as afirmações verbais que atribuem a posição
de cada indivíduo na sociedade a traços pessoais, tanto inatos como resultantes
de uma cultura menos desenvolvidas, seriam reforçadoras” (p.61).
A grande maioria dessas regras, senão todas elas, são
falaciosas. Pessoalmente, acredito que a mais perversa seja a de que o ser humano
é competitivo por natureza e que isso é necessário para sobrevivermos. É
perversa, pois é em cima desta lógica que irão se fundamentar o individualismo,
a alienação à "liberdade" e a cultura do "no pain no gain" (sem dor, sem ganho).
Se devo competir com meu par para sobreviver ou para
garantir a sobrevivência de meu seio familiar (reduzido progressivamente ao
longo da história, iniciando na Idade Média e se acentuando no capitalismo) não
me interessa garantir a sobrevivência da comunidade ou da espécie. Basta, portanto, que eu
garanta os recursos e condições para que eu e meus próximos sobrevivam, uma vez que, apenas assim, posso garantir que serei livre para fazer o que eu quiser - sem ninguém interferindo em minha vida. Além do mais, se conquisto a minha suposta liberdade
é pelo meu próprio esforço e suor.
Esta falsa regra ignora o fato de que o ser humano só
sobreviveu às condições extremamente aversivas de Eras anteriores devido a sua
capacidade de se mobilizar em grupo (potencializada pelo advento da fala) e de
viver em comunidade de maneira solidária e coletiva, visando o bem comum. Ao se
privatizar as posses (a propriedade privada), os meios de produção e as
relações criaram-se as condições necessárias para que o capitalismo se
estabelecesse como única alternativa (não por acaso uma das máximas deste
modelo é a "There is no
alternative" - Não há alternativa) e não é mera coincidência que
estamos caminhando a largos passos para a extinção da raça humana.
Nos venderam competitividade, individualismo, liberdade e
uma vida melhor e não só compramos a ideia, como passamos a acreditar que esta
era a única solução viável e que as coisas sempre foram assim.
Em outro post discorri sobre a importância da ciência
baseada em evidências para a revolução (http://migre.me/sIrjx).
Um dos argumentos que defendi é de que não se pode chamar de opinião algo que
contradiz um dado concreto sobre o mundo em que vivemos. Tais opiniões apenas expõem o
grau de desconexão com a realidade do indivíduo e a resistência a mudanças de pontos
de vista mesmo quando estes são exaustivamente provados equivocados.
Afirmar que o feminismo é coisa de "mulheres querendo
se fazer de vítima e conseguir atenção e privilégios", por exemplo, é um
desses casos, mesmo quando se sabe que entre 2001 e 2011 uma mulher morria a
cada uma hora e meia (http://migre.me/sIrPM),
que, em 2013, uma mulher brasileira era estuprada a cada dez minutos (http://migre.me/sIrTE), que cinco mulheres são
vítimas de violência doméstica a cada dois minutos (http://migre.me/sIrSh), que as mulheres no
Brasil recebam, em média, 30% menos que os homens trabalhando em mesmo cargo e
com as mesmas qualificações (ou até mais - http://migre.me/sIs0H).
Outra situação comum é a defesa de que racismo não existe ou
que é coisa de negros em relação a negros ignorando evidências como a de que
entre 2003 e 2013 o número de homicídios contra jovens aumentou 32.7% (enquanto
o de jovens brancos caiu 16.7%. Ou seja, proporcionalmente morrem 173.6% mais
negros do que brancos no Brasil (http://migre.me/sIsgW).
Ignorando também que 73% dos cadastrados no Bolsa Família em 2013 eram pretos e
pardos - em outras palavras, estão em situação de extrema pobreza (R$77 per
capita mensal) ou pobreza (R$77,01 a R$154,00 per capita mensais) - http://migre.me/sIsGc. Fazem de conta que não
são 60% da população carcerária brasileira os negros e pardos (http://migre.me/sIsJ3) ou que negros recebem,
em média, 28% menos que brancos em seus trabalhos mesmo tendo o mesmo nível de
instrução e demais qualificações (http://migre.me/sIs0H).
Um último absurdo para ilustrar a interminável lista de
"opiniões" diz respeito à população LGBT. Não raramente se escuta dos
mais reacionários que gays, lésbicas, bis e pessoas trans morrem como quaisquer
outras e que homofobia não existe. Acrescentam que não se deve dar mais
"direitos" a essa população (como criminalizar a homofobia ou
transfobia, por exemplo, ou criar programas que reduzam a vulnerabilidade - embebidos
da falácia de "direitos iguais" defendida pelos neoliberais).
Desconhecem (intencionalmente, ou não) o fato de
que, em 2014, somente entre Janeiro e Abril foram registradas 337 denúncias de
homofobia na Secretaria Nacional de Direitos Humanos (1013 no ano inteiro - http://migre.me/sIsXq) e no mesmo ano, até
Setembro, 216 pessoas LGBTs tinham sido assassinadas no país (http://migre.me/sIsTM). Passa batido para
essas pessoas também, um estudo realizado em 2009 com 18.599 estudantes de 501
escolas da rede pública de todo o país em que 80 % declararam que gostariam de
manter algum nível de distanciamento social de pessoas com deficiência,
homossexuais, negros e pobres e 18,2% das vítimas de bullying nessas instituições o são por serem homossexuais (http://migre.me/sIt4O). Assim como não parece
ser digno de atenção o fato de que, em 2012, 13.29 pessoas por dia foram vítimas
de violência homofóbica no País (http://migre.me/sItcM).
Onde pretendo chegar apresentando estes dados? Uma vez
exposta a inquestionável crueldade da realidade e das opressões sofridas por
estes grupos e uma vez constatada a negação, por parte de muitos, destes dados, assim como a invalidação da opressão e perpetuação de toda sorte de violência
contra mulheres, população negra, lgbt, indígena, pobres, etc. é impossível não
se questionar acerca do que mantém este tipo de comportamento.
Obviamente, seria impossível esgotar a análise de elementos
que podem manter tais comportamentos, mesmo porque existirão condições
bastantes particulares à história de aprendizagem de cada indivíduo que
caminharão lado a lado com variáveis culturais e filogenéticas (características
adaptativas selecionadas pela evolução das espécies).
No caso do preconceito,
uma possível origem filogenética estaria na necessidade de distinguir
companheiros de tribo e membros de tribos rivais a partir de generalizações de
características físicas ou visíveis dessas tribos; a falha em fazer esta
distinção poderia resultar na morte do indivíduo ou da tribo inteira. Esta capacidade teria sido selecionada pelo seu valor de
sobrevivência até que, em determinado momento, como foi a partir do momento que
a humanidade se constituiu como civilização, que o valor de sobrevivência específico
de tal variável perde sua função e ela naturalmente seria transmitida menos
frequentemente para os descendentes.
Há, entretanto, uma condição peculiar ao ser humano que
afeta diretamente este cenário: a comunicação por meio da fala e da escrita e a
transmissão de regras de uma geração para outra. Ora, sem o conhecimento dos
motivos pelos quais determinadas figuras poderiam parecer mais ameaçadoras, ou
mais frágeis, ou "inferiores" e sem repertório para questionar tais convicções o
terreno fica extremamente fértil para a criação de regras em que a consequência
descrita de um comportamento não tem relação direta com os antecedentes ou com
o comportamento em si.
Trocando em miúdos, antes de regras preconceituosas serem
transmitidas, poderíamos levantar a hipótese de que há atualmente, por exemplo, um componente filogenético no sentimento de desconforto ou até mesmo de ameaça na presença de um indivíduo de "outra tribo". Uma vez que, em uma sociedade civilizada,
não necessariamente este outro represente uma ameaça de uma tribo rival, um
conflito emerge. Ou o sentimento de ameaça é questionado (considerando que a
pessoa tenha aprendido a fazer este tipo de questionamento) ou cria-se um
desconforto maior ainda: o de encontrar alguma explicação para este
desconforto.
Desta forma, uma variável não mais relevante para a
sobrevivência da espécie continua a sobreviver pois é mantida por outro componente - a variável
cultural. Dependendo da capacidade de raciocínio do indivíduo ele mesmo criará
uma explicação (quase, senão sempre falaciosa) e de acordo com seu grau de influência
no grupo em que está inserido esta explicação tende a se disseminar e a ser
passada de geração para geração (outra possibilidade é o indivíduo ir buscar a
explicação de um líder na comunidade e passar a retransmiti-la),
estabelecendo-se como prática cultural.
Como a regra descrita não encontra sustentação em evidências
e sim, com frequência, no compartilhamento de um desconforto por um grupo, a
probabilidade de que ela seja mantida por afastar o desconforto é bastante
elevada. A força que esta regra terá na vida deste grupo depende também da
história individual de aprendizagem de cada um destes elementos. Como já dito,
se os membros de um grupo foram ensinados a questionar determinados tipos regras,
estas práticas culturais terão mais dificuldades em se manter naquele grupo.
Ao longo do tempo, tais práticas podem ser desacreditadas e
cair em esquecimento ou podem ser reatualizadas, ganhando novas máscaras e
sendo inclusive legitimadas por agências de controle (governo, igrejas,
escolas, comunidade científica, etc.). Para que tais regras se mantenham,
contudo, é necessário que o elemento mais nuclear da contingência seja alimentado
(ou reforçado). Em nosso exemplo, seria o desconforto sentido na presença de
algo considerado ameaçador, dando a este desconforto, credibilidade e ao que é
considerado ameaçador, o status de ameaça.
Uma das maneiras mais corriqueiras de se estabelecer algo
como ameaça, além do reforçamento do sentimento de desconforto, é – após a
consolidação da propriedade privada e da privatização dos meios de produção e
das relações humanas – apontar determinados grupos como potenciais ladrões
dessa liberdade individualista. Aqui já há um salto das regras mais elementares
criadas e compartilhadas por um grupo, para a apropriação dessas regras por
agências de controle para embasar ideologias dominadoras.
Este passo é fundamental para que a ameaça – que poderia
perder o status de ameaça uma vez que as condições na qual aquela condição
evolutiva se estabeleceu não mais existem – se firme novamente como ameaça,
agora em concordância com regras produzidas por agências de controle que serão
transmitidas de maneira persuasiva (ou seja, de modo que o indivíduo acredite
que é realmente aquilo que ele quer, inclusive por não haver outra alternativa).
Estas condições para manter a ameaça enquanto ameaça vão
sofrendo modificações ao longo do tempo, mas mantêm um cerne comum: a aposta na
aversividade. Comportamentos mantidos por controle aversivo tem muito mais chances
de serem estereotipados (apresentam baixa variabilidade) e de serem de difícil
extinção (resistem a mudanças no ambiente como a retirada de consequências que
mantinham o comportamento).
Não é difícil encontrar estes elementos nos discursos contra
os grupos mais vulneráveis aqui citados. Esta estratégia persuasiva de colocar
algo como ameaça porque poria em risco valores fundamentais (quem os definiu
como fundamentais?) é o pilar de boa parte do, senão todo o, controle exercido
pela ideologia neoliberal. Suas propriedades, seus direitos individuais, sua
liberdade, todo o sofrimento que você teve para conquistar o que tem – tudo isso
colocado em risco por pessoas que querem ter mais privilégios, mais direitos,
mais liberdade que você – sem ter que ter sofrido tanto quanto você (é, eu sei
o quanto isto soa absurdo).
Isto é ainda mais alimentado quando se potencializa o
sentimento de ameaça pela lógica da competitividade. A ameaça não quer apenas
tirar algo que é seu, eles querem ser melhores que você. Querem se dar melhor
com menos esforço. A competição se exacerba de tal forma que, mesmo confrontado
com a realidade, ao invés de demonstrar empatia e solidariedade pelo sofrimento
dos pares o próprio sofrimento se torna um elemento da competição.
O filósofo Leandro Karnal ilustra bem essa situação em uma
de suas falas quando solicita à sua plateia que faça o exercício de chegar em
casa e falar para quem lá estiver “Estou cansado.”. É praticamente certo que a
resposta ouvida será “Eu também.”. Este exemplo simplório simboliza de maneira
muito potente o quão profundo é o enraizamento da ideologia capitalista em
nossas vidas. Admitir que o outro pode estar sofrendo tanto quanto estamos
sofrendo e ser solidário e acolher este sofrimento parece colocar
em cheque todo o nosso funcionamento no mundo.
Ao reconhecer que as mulheres, negros, indígenas, LGBTs e
pobres também sofrem como sofremos (a intenção aqui não é igualar sofrimento e
sim realçar que não é só o indivíduo que sofre, todos sofrem, cada um em suas
condições e com consequências diversas) e que as condições de sofrimento para
estes grupos implicaram em uma perda brutal de direitos e de qualidade de vida
irremediavelmente nos levaria a questionar o status de ameaça destes grupos. Ao
perceber que não existe ameaça clara à minha "propriedade privada", à minha “liberdade”
e aos direitos que já tenho pode-se abrir uma brecha para que se comecem a
questionar estes conceitos. Sou mesmo livre? Estes direitos que tenho, os
outros têm também? Faz mesmo sentido acreditar que reduzir e isolar a
convivência comunitária ao núcleo familiar dentro da minha propriedade é a
melhor maneira de sobreviver?
Uma vez iniciados estes questionamentos, a persuasão
venenosa do capitalismo é imediatamente ameaçada. São em momentos assim, por
exemplo, em que a produção de uma crise econômica é fundamental para a
manutenção do status quo. Exacerba-se a níveis muito elevados a sensação de
ameaça de tal forma que estas e outras regras tenham mais chances de continuar
se perpetuando.
Questionar o capitalismo não é simplesmente defender um
outro sistema econômico. Não se trata apenas disto. O capitalismo, para além de
um sistema econômico, é um produtor de práticas culturais rígidas e aversivas,
ou seja, de regras absolutas sobre o funcionamento do mundo que apostam na
coerção para manutenção de um controle persuasivo que visa a alienação dos
indivíduos ao individualismo, competitividade e egoísmo. É na promessa constante de afastamento de ameaças que o
capitalismo se sustenta e permanece oprimindo, matando e destruindo rapidamente
toda e qualquer chance de sobrevivência de nossa espécie. É a aposta na
impossibilidade da clássica frase de Bertolt Brecht de que “Nada deve parecer
impossível de mudar”. Cabe apenas a nós tornarmos essa frase possível.
--
Abaixo, o excelente vídeo do Leandro Karnal sobre o
individualismo em nosso mundo líquido. Recomendo!
Gostei muito do seu texto, porém sempre pergunto: como o comunismo poderia ser implementado no Brasil e no mundo? Já conhecemos bem, todos os argumentos à favor dele, porém até hoje não vi um plano concreto para sua implantação, um plano que não fosse somente opinião como você a brilhantemente definiu!
Eu vou dar uma resposta breve pra sua pergunta, mas eu recomendo fortemente a leitura do Manifesto Comunista para uma resposta mais satisfatória pra sua indagação :) O primeiro ponto diz respeito ao fato de que a revolução (mudança do capitalismo pra transitoriedade do socialismo, culminando no comunismo) não pode ser local. Sei q vc falou no Brasil e no mundo, mas acho importante frisar isso. Ou a revolução é internacional ou não é revolução (esse é um dos vários motivos pelo qual não faz sentido algum chamar países como Cuba, China, etc. de comunistas). O comunismo não é um sistema com uma "receita" já definida de aplicação. Temos parâmetros gerais de funcionamento para uma sociedade mais igual e justa como a abolição da propriedade privada e a coletivização dos meios de produção (só para citar alguns exemplos), mas considerando que o comunismo é o estágio final de um sistema comunitário e solidário da comunidade para a comunidade (uma comunidade global) a forma q o comunismo tomaria dependeria de quão engajada e consciente a população estivesse na supressão do capitalismo, ou seja, na revolução. É inclusive por isso que o comunismo pressupõe uma fase de transição, o socialismo, para se chegar a esse estágio final, porém não definitivo. Considerando o homem como produto e produtor de seu meio o comunismo seguiria preceitos gerais, mas sua forma estaria sempre em constante mutação. Há diferentes propostas de como se chegar ao comunismo. Tem os que defendem a revolução armada, os que defendem o empoderamento e despertar de consciência de classe oprimida e engajamento desta classe em uma luta pacífica (não tão diferente do q nós psicólogos temos q fazer com nossos clientes :P - que é a proposta que eu defendo) e os que defendem a revolução a partir de reformas e de cargos eletivos institucionais, para citar alguns exemplos. Não há a menor chance de se suplantar o capitalismo para qualquer sistema democrático de fato, igualitário e justo que seja (eu defendo o comunismo como alternativa) sem despertar na população a consciência de agentes ativos na construção dessa alternativa. Não sei se respondi sua pergunta, mas estou à disposição para mais questionamentos :P Ah, e como o comunismo nunca foi implantado ele acaba, de fato, tendo um ar mais de opinião/hipótese, assim como qualquer contingência nova a qual decidamos nos expor 😁
Gostei muito do seu texto, porém sempre pergunto: como o comunismo poderia ser implementado no Brasil e no mundo? Já conhecemos bem, todos os argumentos à favor dele, porém até hoje não vi um plano concreto para sua implantação, um plano que não fosse somente opinião como você a brilhantemente definiu!
ResponderExcluirEu vou dar uma resposta breve pra sua pergunta, mas eu recomendo fortemente a leitura do Manifesto Comunista para uma resposta mais satisfatória pra sua indagação :)
ExcluirO primeiro ponto diz respeito ao fato de que a revolução (mudança do capitalismo pra transitoriedade do socialismo, culminando no comunismo) não pode ser local. Sei q vc falou no Brasil e no mundo, mas acho importante frisar isso. Ou a revolução é internacional ou não é revolução (esse é um dos vários motivos pelo qual não faz sentido algum chamar países como Cuba, China, etc. de comunistas).
O comunismo não é um sistema com uma "receita" já definida de aplicação. Temos parâmetros gerais de funcionamento para uma sociedade mais igual e justa como a abolição da propriedade privada e a coletivização dos meios de produção (só para citar alguns exemplos), mas considerando que o comunismo é o estágio final de um sistema comunitário e solidário da comunidade para a comunidade (uma comunidade global) a forma q o comunismo tomaria dependeria de quão engajada e consciente a população estivesse na supressão do capitalismo, ou seja, na revolução. É inclusive por isso que o comunismo pressupõe uma fase de transição, o socialismo, para se chegar a esse estágio final, porém não definitivo. Considerando o homem como produto e produtor de seu meio o comunismo seguiria preceitos gerais, mas sua forma estaria sempre em constante mutação.
Há diferentes propostas de como se chegar ao comunismo. Tem os que defendem a revolução armada, os que defendem o empoderamento e despertar de consciência de classe oprimida e engajamento desta classe em uma luta pacífica (não tão diferente do q nós psicólogos temos q fazer com nossos clientes :P - que é a proposta que eu defendo) e os que defendem a revolução a partir de reformas e de cargos eletivos institucionais, para citar alguns exemplos.
Não há a menor chance de se suplantar o capitalismo para qualquer sistema democrático de fato, igualitário e justo que seja (eu defendo o comunismo como alternativa) sem despertar na população a consciência de agentes ativos na construção dessa alternativa.
Não sei se respondi sua pergunta, mas estou à disposição para mais questionamentos :P
Ah, e como o comunismo nunca foi implantado ele acaba, de fato, tendo um ar mais de opinião/hipótese, assim como qualquer contingência nova a qual decidamos nos expor 😁
Nossa, isso que era pra ser a resposta breve, hahaha.
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